Rastreabilidade, necessidade ou obrigação?

9 09UTC Abril 09UTC 2008

Por Adriano Bronzatto*

Após crises internacionais com a doença da vaca louca, gripe aviária, bioterrorismo e problemas de falsificação e contrabando de produtos, o mercado internacional passou a se preocupar com questões relacionadas à origem e trajetória dos produtos ao longo das cadeias de suprimentos. Regulamentações específicas foram criadas para garantir a rastreabilidade das mercadorias, envolvendo a aquisição de matéria-prima, fabricação, distribuição e comercialização.
     No setor de carnes, no qual o Brasil vem sofrendo restrições recentes para exportação, por problemas no sistema de rastreabilidade nacional, os regulamentos exigem que os países exportadores forneçam a identificação individual, ocorrências relevantes na vida e o passaporte de cada animal; e o registro de todos os dados sobre criação, alimentação e vacinas. Do frigorífico, é exigida a etiquetagem dos cortes, que deve permitir a ligação entre eles e o animal ou lote que os gerou.
     A rastreabilidade pode ser entendida como a capacidade de recuperação do histórico, da aplicação ou da localização de um item, por meio de registros, sendo fundamental nos casos em que o impacto causado por incidentes envolvendo a segurança de produtos leva, além dos danos à saúde dos consumidores, à redução da confiança da população nos produtos, nos órgãos de fiscalização e nas empresas. A sua aplicação baseia-se no cumprimento de determinadas funcionalidades entre diversos parceiros, ao longo da cadeia de abastecimento, para garantir a disponibilidade de informação para eventuais necessidades do consumidor ou cliente final.   
A rastreabilidade deve ser considerada no processo de negócio, devendo fazer parte da estrutura organizacional  e das diversas áreas da empresa. Além disso, é fundamental que envolva fornecedores, parceiros logísticos e comerciais, o que aumenta a complexidade da implementação dos seus sistemas. A capacitação de colaboradores e parceiros é uma peça chave na sua implementação. Questões técnicas, como sistemas de identificação, registro e captura de dados, além de domínio sobre regulamentações e legislações específicas, devem fazer parte do conjunto de habilidades dos profissionais.
Guias de implementação e cursos foram criados por diversas organizações para auxiliar os profissionais na implementação dos sistemas. A GS1, organização internacional que padroniza e controla o uso de códigos de barras para identificação, automação e rastreabilidade de produtos e processos, dispõe de uma série de guias práticos e treinamentos com esta finalidade.
Empresas de sucesso enxergam a rastreabilidade como uma necessidade e não como obrigação para cumprir regulamentações específicas ou requisitos de clientes. Trata-se de uma ferramenta para a redução dos riscos ao consumidor, proteção da marca e gestão dos riscos relacionados à distribuição e consumo de produtos inadequados (insumos fora de especificação, problemas no processo de fabricação, alterações atípicas, adulterações, falsificações…). Assim, tornou-se instrumento importante para melhorar resultados e minimizar perdas e custos com eventuais recalls e indenizações.
O Brasil precisa agregar aos seus produtos, padrões inquestionáveis de controles de qualidade e de rastreabilidade. Isto implica, porém, que todos os participantes das cadeias produtivas — fornecedores, fabricantes, distribuidores, operadores logísticos, varejistas e governo — trabalhem em conjunto. O uso da tecnologia da informação e a automação de processos são ferramentas imprescindíveis para garantir a confiabilidade dos sistemas de rastreabilidade. Esta é a receita de sucesso utilizada na Europa, que pode e deve ser aprimorada no Brasil.

*Adriano Bronzatto é Assessor de Negócios da GS1 Brasil – organização que padroniza e controla o uso de códigos de barras para identificação, automação e rastreabilidade de produtos e processos no Brasil. Mais informações, acesse www.gs1brasil.org.br.

 


Que manga é essa?

9 09UTC Abril 09UTC 2008

Por Flávia Ponte Bandeira S. Costa*

 

O DataBar como elemento fundamental para identificação de produtos hortícolas.

Como diz um famoso artista brasileiro: “Moro! Num País Tropical, Abençoado por Deus e bonito por natureza”. Uma terra que, por suas características climáticas e geográficas, possui um solo fértil,  produtor de grande variedade de frutas, legumes e verduras.
No Brasil existem diversas variedades de mangas, maçãs e laranjas, diferindo no tamanho, cor e forma. Imagine identificar cada uma delas! Manga Haden ou Tommy?
 A comercialização desses produtos nos supermercados tem ganhado cada vez mais importância, seguindo a tendência mundial em busca de melhor qualidade de vida, diretamente ligada a alimentação mais equilibrada e saudável. As áreas dedicadas a esse conceito estão crescendo e necessitam formas claras de identificação dos produtos, tanto para controle interno como para os consumidores. Maçã gala ou Fuji?
 Para solucionar o problema, a GS1 anunciou ao mundo a adoção da simbologia DataBar (antes chamado RSS – Reduced Space Symbology ou simbologia de espaço reduzido). Isto significa que qualquer item comercial poderá ser identificado com o código. Bem menor do que os atuais códigos de barras, o DataBar pode carregar muito mais informações.  Além da identificação do produto, permite a codificação de itens muito pequenos e informações adicionais, como data de validade e lote. Estas informações em conjunto possibilitam às empresas acesso a informações de rastreablidade, garantindo, assim, gerenciamento muito mais eficiente e de melhor qualidade. Laranja lima ou pêra?
 Os produtos de FLV (frutas, legumes e verduras) atualmente têm um gerenciamento complicado justamente pela falta de identificação e de espaço para um código de barras maior. O DataBar facilitará a automação desse tipo de produto, melhorando a precisão e a velocidade de acesso a informações sobre produção e proveniência dos alimentos. Também indica ao operador de caixa qual a variedade de determinada fruta, reduzindo erros no ponto de venda e, conseqüentemente, as perdas financeiras causadas por eles. Distintas variedades de uma fruta podem ter diferenças de até 50% no seu valor de venda!
 Eficiência, controle, confiabilidade! Alguns dos inúmeros benefícios da utilização do Databar. Afinal, pode parecer fácil diferenciar banana nanica, da prata ou ouro, mas muitos ainda podem se confundir!
Para mais informações sobre o DataBar, consulte: www.gs1brasil.org.br.  

*Flávia Ponte Bandeira S. Costa é assessora de Soluções de Negócios da GS1 Brasil.

 

 


Nota Fiscal Eletrônica obrigatória em abril. E agora?

9 09UTC Abril 09UTC 2008

Por Ana Paula Vendramini Maniero*

Há tempos vem sendo divulgada a obrigatoriedade da emissão da NF-e para diversos setores e empresas, englobando produtos como cigarros, combustíveis líquidos, automóveis, cimento, medicamentos alopáticos, carnes, bebidas alcoólicas, refrigerantes, e aço. Porém, é preciso questionar se todas as empresas desses setores estão preparadas para a novidade.
 O governo divulga e se prepara há mais de três anos para isso. Agora, todos os estados estão aptos a receber e autorizar a NF-e, seja por infra-estrutura própria ou através da “Sefaz Virtual”, uma unidade centralizadora concebida para auxiliar as unidades federativas nesse processo. Atualmente, existem duas unidades da Sefaz Virtual, uma localizada no Estado do Rio Grande do Sul e a outra no Ambiente Nacional, baseada no Serpro, que também abriga o Sistema de Contingência.
 A emissão da NF-e pode ser feita de maneira automatizada ou com o auxílio de um programa, desenvolvido pela Sefaz/SP, destinado a pequenas e médias empresas, mas que pode resolver momentaneamente a obrigatoriedade, em abril, até que as empresas desenvolvam seus próprios programas e sistemas. Este pode ser o caminho mais fácil e rápido, mas que não substitui a integração automatizada, caso o volume de notas da empresa seja alto.
 Portanto, o governo está preparado e fornece ferramentas e infra-estrutura para as empresas gerarem a NF-e. Assim, as empresa devem acelerar seus processos de testes.

Como gerar a NF-e?
 
Existem duas maneiras para a emissão da NF-e:
Geração automatizada, integração de sistemas e utilização de Web Services: A empresa emissora gera um arquivo eletrônico, correspondente a Nota Fiscal Eletrônica, assina digitalmente e transmite pela internet para a secretaria da fazenda, que autorizará o uso deste documento; apesar do desenvolvimento e implantação ser mais demorada e mais cara, pois requer ajustes nos sistemas internos, contratação de provedores de serviços e soluções, é mais eficiente, visto que todo o processo deve ser automatizado, conseqüentemente, eliminam-se vários problemas decorrentes de erros humanos.
Programa emissor de NF-e: Programa distribuído gratuitamente pelas Sefaz e por estar integrado aos sistemas de autorização de NF-e das Secretarias de Fazenda de todos os estados, serve para qualquer empresa que queira emitir Notas Fiscais Eletrônicas e gerenciar toda as mensagens com o Fisco, indicado para pequenas e médias empresas que não possuem grande volume de notas fiscais, uma maneira rápida e segura para a geração das NF-es, pois pode-se digitar as notas sem integrá-las com os sistemas internos, mas que, num segundo momento pode requerer muito esforço caso o volume de emissão seja alto. O programa emissor está disponível para download nos sites: www.nfe.fazenda.gov.br e www.fazenda.sp.gov.br/nfe, assim como treinamento virtual para a sua utilização.

Não sou obrigado a emitir a NF-e, porque envolver-me no projeto?
A empresa pode envolver-se por reconhecer que conseguirá atingir benefícios com redução de custos operacionais como impressão, espaço físico de armazenamento, eliminação de erros de digitação, redução de custos logísticos, redução dos erros de escrituração etc; ou, por já querer estar preparada para atender a uma exigência das Secretarias de Fazenda, que com o decorrer do tempo e gradualmente irá acontecer para muitos setores da economia, até que, possivelmente, todas as empresas que emitem Nota Fiscal em papel, migrem para a emissão eletrônica já anunciada; ou então porque quer ter ganhos com a utilização da tecnologia no relacionamento B2B, que tem como conseqüência uma série de vantagens logísticas e comerciais, tais como redução de: custos administrativos e operacionais, de estoque, de saldos, de itens faltantes, de devoluções, aumentando as vendas e agilizando o recebimento das mercadorias.

O papel da GS1 Brasil na geração da NF-e
A GS1 Brasil – Associação Brasileira de Automação – entidade que representa mais de 52 mil empresas usuárias de padrões de código de barras e comércio eletrônico, dá suporte à implantação da NF-e, através de grupos de trabalhos, assessoria técnica, seminários e cursos realizados em sua sede em São Paulo.
Uma vez que as empresas desenvolvam a solução, e enviem o arquivo de notas fiscais, eletronicamente, para o Fisco, poderão também fazê-lo para seus parceiros de negócios, a nota fiscal eletrônica juntamente com demais informações logísticas enviadas através de meios eletrônicos, parece ser o caminho natural para os processos de negócios entre as empresas, fortalecendo assim as relações B2B.
Considerando esse cenário, a GS1 Brasil se antecipou e promoveu um grupo que discutiu sobre a harmonização da NF-e com os processos B2B existentes com foco em vários setores da economia.
O adendo B2B foi criado no mesmo padrão da NF-e (XML) e poderá ser enviado juntamente ao arquivo da NF-e ao parceiro de negócios.  O layaute definido pelo grupo pode ser encontrado no Centro de Serviços da GS1 Brasil: www.gs1brasil.org.br.

*Ana Paula Vendramini Maniero é assessora de Soluções de Negócios da GS1 Brasil.

 


Identificação de Produtos e Unidades Logísticas – A utilização de padrões globais

9 09UTC Abril 09UTC 2008

Por Flávia Ponte Bandeira S. Costa – fcosta@gs1brasil.org.br
Graduada em Economia pela FEA-USP e Comunicação Social com ênfase em Marketing pela ESPM. Pós-Graduada em Administração Industrial pela Fundação Vanzolini – USP. MBA em Varejo pela FIA-USP. Na GS1 BRASIL, atua como Assessora de Soluções de Negócios no Centro de Competência de Automação e Rastreabilidade e diversos grupos setoriais focando na aplicação do Sistema GS1 e desenvolvendo novas ferramentas para garantir a qualidade e eficiência na Gestão de toda a Cadeia de Suprimentos.

 

O código de Barras e o Sistema de Identificação GS1 têm trazido benefícios aos consumidores nos últimos 30 anos. A utilização de padrões com a globalização da economia e a adoção do Código de Barras nos produtos e serviços tem sido quase que uma regra geral por parte das empresas.
O Ministério da Indústria e do Comércio conferiu à GS1 Brasil a responsabilidade de implementar e administrar o “Código Nacional de Produtos”, em nível nacional, por meio da Portaria nº 143, de 1984. O objetivo da adoção do código GS1 é proporcionar uma linguagem comum entre parceiros comerciais. Cada produto tem um único código de identificação, um código inequívoco, que pode ser utilizado por estabelecimentos comerciais e pela própria indústria, contribuindo para a eficiência no processo de comercialização de produtos nacional e internacionalmente, inclusive melhorando o gerenciamento e a tomada de decisão.

5 bilhões de vezes ao dia um código de barras do Sistema GS1 é lido no mundo

 

1. Histórico do Código de Barras

Os primeiros estudos sobre código de barras começaram em 1948 com Bernard Silver e Joseph Woodland. Em 1952, eles criaram o primeiro leitor de código de barras.
Em 1969, The National Association of Food Chains (NAFC) solicitou a uma empresa que desenvolvesse uma proposta de um sistema único de código de barras para a indústria. Em 1970 foram apresentados os resultados. Em 1973, a NAFC recomendou a adoção do símbolo UPC (Universal Product Code), desenvolvido por George Laurer, que se baseou nas idéias de Silver e Woodland.
Desde 1974, quando foi escaneado o primeiro código de barras nos Estados Unidos, as mudanças no universo do varejo e da indústria foram constantes e aceleradas. A automação trouxe efeitos imediatos na cadeia de suprimentos e principalmente na vida dos consumidores.
Em 1977, os países que compunham o Mercado Comum Europeu resolveram estudar uma solução única que pudesse ser adotada por todos. Nascia a EAN (European Article Numbering System), o sistema europeu de numeração de artigos.
A EAN, hoje GS1, está presente em mais de 140 países, contando com mais de 1,2 milhões de associados.

2. Os Padrões GS1

2.1 GS1 Brasil

A GS1 é a Federação de organizações GS1 nacionais e provê o fórum para o desenvolvimento dos padrões globais. A GS1 Brasil, organização membro da GS1, é uma associação brasileira multissetorial, sem fins lucrativos,  que além de administrar o código de barras no Brasil, tem a  missão   de implementar e disseminar globalmente padrões para a melhoria das cadeias de suprimentos. Também é a entidade oficial que representa o EPC (código eletrônico de produto que utiliza a tecnologia da radiofreqüência para transmissão de dados) no País.  A  organização  está presente no Brasil desde 1983 e ao longo desse período tem apoiado diversos setores na adoção de sistemas eficientes de rastreabilidade. Dentre os valores que permeiam a entidade, estão a ética e a transparência nas relações, o cumprimento dos acordos firmados e o oferecimento de serviços e produtos de alto valor agregado.

2.2 Sistema GS1

O Sistema GS1 é um conjunto de padrões utilizado mundialmente, que possibilita a automação e a gestão eficiente da cadeia de suprimentos, identificando com exclusividade produtos, unidades logísticas, localizações, ativos e serviços entre as diversas empresas participantes da comunidade de negócios.

Os padrões GS1 facilitam a identificação e a comunicação nacional e internacional entre todos os parceiros comerciais que fazem parte de qualquer cadeia de suprimentos, inclusive fornecedores de matéria-prima, atacadistas, distribuidores, varejistas, hospitais e clientes finais ou consumidores.
Muitas empresas estão expandindo seus canais de distribuição no que diz respeito a mercados e clientes em setores e atividades, que antes não eram usuais para elas. Uma empresa que optar por um padrão específico de algum setor, vai se defrontar com os custos potencialmente elevados da manutenção de dois ou mais sistemas de identificação e comunicação, se quiser vender seus produtos ou serviços, ou simplesmente relacionar-se fora do seu “nicho”.
Muitas operações essenciais à eficiência do comércio e à otimização da cadeia de suprimentos dependem da precisão de identificação dos produtos trocados, serviços prestados e/ou localizações envolvidas.
Os números de identificação podem ser representados por meio de símbolos do código de barras para possibilitar a leitura eletrônica (óptica) no ponto de venda, no recebimento nos depósitos ou em qualquer outra etapa em que seja necessária a captura de dados nos processos de negócios. O Sistema é projetado para superar as limitações decorrentes do uso de codificações específicas (restritas) de um setor, organização ou empresa, e tornar o comércio muito mais eficiente e reativo aos clientes.
Esses números de identificação também são usados em mensagens de intercâmbio eletrônico de dados (EDI) para aumentar a velocidade e a precisão das comunicações. Além de fornecer números exclusivos de identificação, o Sistema também proporciona informações adicionais, tais como data de validade, números de série e números de lote mostrados na forma de código de barras.
Seguir os princípios e o projeto do Sistema GS1 significa que os usuários podem projetar os aplicativos para processar automaticamente os dados. A lógica do Sistema garante que os dados capturados a partir dos códigos de barras produzam mensagens eletrônicas inequívocas e que seu processamento possa ser totalmente pré-programado.
A aplicação dos diferentes padrões GS1 pode resultar em significativas melhorias nas operações logísticas, na redução dos custos com a papelada, na diminuição dos tempos de espera do processamento do pedido e da entrega, no aumento da precisão e na melhor gestão de toda a cadeia de suprimento. Enormes economias de custos são obtidas diariamente por empresas usuárias que o adotaram, porque estas aplicam a mesma solução para comunicar-se com todos os seus parceiros comerciais ao mesmo tempo, os quais permanecem inteiramente livres para executar aplicativos internos á seu critério.
As simbologias do Sistema GS1 e a lista de todos os Als são padrões ISO (International Organization for Standardization) e CEN (European Committee for Standardization).

3. A identificação – Chaves GS1

O Sistema GS1 oferece chaves específicas para acesso a dados dos processos comerciais, logísticos e operacionais. São algumas delas:

o GTIN (Número Global de Item Comercial) – identificação exclusiva de produtos de produtos comercializados na cadeia de suprimentos.
o GLN (Número Global de localização) – identificação exclusiva de locais
o SSCC (Número de Série de Unidade Logística) – numeração exclusiva e serializada para identificação de unidades logísticas e rastreabilidade

Existem outras chaves da GS1 para identificação de ativos, serviços, documentos entre outros.

3.1 Código de Barras

O uso do código de barras para codificar informações, permite a automação da captura de dados, como por exemplo, as chaves de identificação GS1. Atualmente, os códigos EAN/UPC, que inclui o EAN-13 (13 dígitos), são os mais utilizados para a codificação de produtos com leitura no check-out do varejo. A identificação inequívoca do produto é garantida pela atribuição de uma estrutura numérica o GTIN (Número Global do Item Comercial). É a partir do GTIN que é gerado o código de barras EAN-13, permitindo que a empresa identifique um produto individualmente, sabendo exatamente qual é o tipo de produto, suas variações de cor, peso, tamanho etc. Portanto, os códigos EAN/UPC são imprescindíveis para a identificação.

 

 

O código GS1 128 utiliza a estrutura de Ais, ou seja, identificadores de aplicação.

  

4. DataBar

Em 2006, a GS1 anunciou ao mundo a adoção da simbologia DataBar (antes chamado como RSS – Reduced Space Symbology ou simbologia de espaço reduzido). Isto significa que qualquer item comercial poderá ser identificado com o código DataBar e que todos os sistemas de check-outs varejistas do mundo deverão estar preparados até2010 para lerem este código.

Bem menor que os atuais códigos de barras o DataBar pode carregar muito mais informações. Ele permitirá a mesma identificação do produto, porém com alguns benefícios a mais que os atuais:

 Tamanho bastante reduzido, ele ocupa aproximadamente metade da área de um código EAN-13 (em aplicações especiais que não envolvam o ponto de venda do varejo ele pode ser até 15 vezes menor). Essa vantagem reflete diretamente na capacidade de identificação de produtos muito pequenos que hoje não são codificados por falta de espaço.

 Muito mais informações, isto porque, no código DataBar será possível trabalhar com AIs (Identificadores de Aplicação). O (AI) é uma linguagem padronizada que identifica uma informação adicional sobre o produto. Por exemplo, o AI (10) indica o Lote do Produto, o AI (15) indica a Data de Validade do produto, estes AIs combinados com o GTIN do produto possibilitam as empresas acesso a informações de rastreablidade garantindo assim um gerenciamento muito mais eficiente e de melhor qualidade. 

DATABAR

Olhando para essas vantagens, podemos de imediato imaginar outras aplicações e todos os outros benefícios que poderão ser alcançados com a adoção do DataBar no mercado varejista. Ele trará novas possibilidades de automação como: FLV (frutas, legumes e verduras), segurança alimentar, rastreabilidade e codificação de produtos muito pequenos. Os produtos de FLV (frutas, legumes e verduras) atualmente têm um gerenciamento complicado justamente pela falta de identificação e de espaço para um código de barras maior. O DataBar facilitará a automação desse tipo de produto, melhorando a precisão e a velocidade de acesso a informações sobre produção e proveniência dos alimentos

A rastreabilidade dos FLV’s é fundamental, especialmente com o impacto provocado por incidentes de segurança de alimentos aos consumidores, empresas, grupos que lidam com a mesma mercadoria, governos e comércio. Devido à diversidade das práticas da cadeia de suprimentos de alimentos na esfera internacional, é fundamental que os produtores, embaladores, importadores/exportadores e transportadores trabalhem com seus parceiros da distribuição e do varejo, com o intuito de desenvolver tecnologias e padrões que permitam a identificação dos produtos hortícolas, desde a plantação até o varejista.

Alguns setores já utilizam o DataBar, como é o caso da saúde, que identifica produtos denominados como Dose Unitária, cujo espaço para a aplicação é bem restrito.

O ano escolhido para adoção do DataBar é 2010, justamente para dar tempo às empresas, principalmente aos varejistas, a adaptarem seus softwares de gerenciamento de check-out/retaguarda, leitores (scanners) e coletores a fim de que eles possam decodificar (ler) e processar as informações do código DataBar e principalmente dos Identificadores de Aplicação (AIs).

Com o DataBar e os Identificadores de Aplicação (AIs) sendo decodificados também nos PDVs do comércio varejista, os consumidores, assim como toda a cadeia de suprimentos, terão benefícios cada vez maiores dos já garantidos pelos códigos EAN/UPC ao longo dos últimos 30 anos.

A adoção oficial é só em 2010, e se a impressão que fica é que existe muito tempo até lá, não se deixe enganar. Se as empresa não começarem agora um trabalho de preparação, certamente ficará para trás tanto no cenário tecnológico como competitivo.

Considerações Finais (Obrigatório)
Numa definição técnica o código de barras é uma representação gráfica de dados. Em uma visão de gestão permite:

– Rápida captação de dados
– Velocidade nas transações
– Precisão nas informações
– Atualização em tempo real

O que implica em:
– Maior controle
– Diminuição de Erros
– Gerenciamento remoto
– Velocidade no atendimento de pedidos e clientes
– Redução de custos (digitação e desvios).

Benefícios que cada empresa perceberá na implementação de padrões globais em sua cadeia de suprimentos.

 

Referências:
• Site GS1 Brasil: www.gs1brasil.org.br
• “Excelências e Valores de Sérgio Ribinik nos processos de Gestão”, São Paulo, 2007 (Exemplar disponível na Biblioteca da GS1 Brasil – Associação Brasileira de Automação)

 

Apoiando a Integração da Cadeia de Suprimentos

Existem diversas atividades fundamentais desempenhadas pelas empresas no cumprimento de sua missão, sempre relacionado a agregação de valor aos acionistas, colaboradores e mercado. A logística dentro deste enfoque atua em duas atividades muito importantes: fazer com que os produtos e serviços cheguem ao seu destino final, e cada vez mais importante, gerar toda sorte de informações para poder dizer exatamente tudo sobre estes: quanto, onde, quando, como, vistos por diferentes partes interessadas, dentro e fora das organizações.  Resumindo, todo esforço é despendido para transformar o que simplesmente era “ ter o produto certo no lugar certo”  para  “planejar, possuir a quantidade certa para entregar o item correto, no lugar correto ao menor custo”, e já existem novos requisitos sendo demandados, como por exemplo a vida final do produto, como facilitar a sua eliminação não sobrecarregando ainda mais o meio ambiente.

Os sistemas de informações, que têm a função de auxiliar na gestão sistematizando processos internos, necessitam de ser alimentados com dados precisos e em tempo real. Porém um grande desafio, que vem sendo paulatinamente resolvido, provém do fato que os processos logísticos são executados pelas empresas de forma parcial: uma empresa entrega e a outra recebe. Este grande desafio torna o processo de integração entre os sistemas um grande pesadelo. Os padrões do Sistema GS1 possibilitam a automação dos processos logísticos desde a matéria prima até o consumidor final integrando a informação entre todas as empresas que fazem parte da cadeia de suprimentos.

Os códigos de barras com as identificações padronizadas devem ser aplicadas pela empresa que produz o produto, e isto pode ser feito de diversas maneiras, pela impressão direta nas embalagens, caixas ou etiquetas encomendada às gráficas ou impressão no momento da aplicação através de impressoras dedicadas, e representam custo mínimo. A leitura é realizada por scanner ou leitoras ópticas que capturam a informação e enviam os dados alimentando os sistemas de informação.

  Artigo publicado na revista Mundo Logística