Velhas tecnologias continuam a melhorar operações de Supply Chain

por Roberto Matsubayashi*

Morte anunciada do código de barras com o advento do RFID/EPC é superestimada.

Li recentemente no jornal O Estado de S. Paulo, artigo do jornalista Steve Lohr, publicado por The New York Times, que comenta as velhas tecnologias que resistem à chegada das novidades. O caso mencionado é sobre a morte do mainframe, anunciado em 1991, e que ainda continua muito bem, obrigado. O computador de grande porte representa um caso exemplar na história de tecnologias e mercados sobreviventes. Apesar de seu desaparecimento estar previsto, velhas tecnologias e negócios muitas vezes encontram uma existência sustentável e lucrativa.
O artigo também aborda quais seriam as características comuns das tecnologias sobreviventes. A primeira resposta apresentada é que existe um requisito tecnológico essencial – precisa haver alguma vantagem duradoura na velha tecnologia. Além disso, o que mais importa são as decisões das empresas de investir para reformular a tecnologia tradicional, adotando novos modelos de negócios e fomentando uma rede de apoio de clientes, parceiros e trabalhadores.
E o que dizem os especialistas? Que as previsões de desaparecimento tendem a superestimar a importância da inovação tecnológica e subestimar o papel de discernimento das empresas. “A ascensão e queda das tecnologias têm mais a ver com as empresas do que com o determinismo tecnológico”, diz Richard S. Tedlow, historiador de negócios da Harvard Business School.
Trazendo estas mesmas afirmações para o cotidiano das empresas que operam a gestão de cadeias de suprimentos, já estamos acostumados com os anúncios bombásticos de várias novas tecnologias que “matariam” as “velhas”. Exemplos é que não faltam: o EDI, que teria dias contados com a Internet; a ”new economy”, que acabaria com os “brick and mortar” ou as lojas físicas; e agora o fim do código de barras com a crescente adoção da tecnologia de identificação por radiofreqüência – RFID/EPC.
Uma questão muito importante que acaba sendo esquecida é que a tecnologia busca agregar benefício (nas empresas, o questão econômica é muito importante) e bem-estar para quem a utiliza. Ela, por si só, não altera de maneira alguma o comportamento ou o mundo. A sua adoção e utilização, incorporando-se naturalmente ao dia-a-dia da vida pessoal e/ou profissional é que determina o seu sucesso e continuidade.
Um último ponto abordado pelo artigo é que, da mesma forma que o processo evolucionário dos mercados e dos ecossistemas, as tecnologias, para sobreviverem, necessitam evoluir. Assim, é o caso do código de barras na logística, que passou do produto para as caixas e os embarques e, à medida que as formas de aplicação evoluem, pode incorporar cada vez mais informações úteis, como datas de validade, número de lotes e séries que apóiam a rastreabilidade. Apesar das discussões que o tema incita, objetivo não é chegar a uma análise final de qual sobrevive. É muito mais importante a compreensão do que cada tecnologia pode agregar em termos de benefício e bem-estar social às pessoas e às empresas. Acredito, por exemplo, que RFID/EPC tenha muito a oferecer e terá larga utilização em várias aplicações. Porém, advogar a morte de uma ou de outra tecnologia não é a questão.

*Roberto Matsubayashi é gerente de Soluções de Negócios da GS1 Brasil (Associação Brasileira de Automação).

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